O Dança das Sombras, primeira e única festa temática de Fortaleza, nasceu desse tripé. Foi palco dos primeiros shows da carreira do Plastique Noir, promoveu as primeiras exposições da artista plástica Natasha Lins, fidelizou clientes para a marca de t-shirts Siamese Twins, possibilitou o intercâmbio entre pessoas de diferentes partes da cidade e ajudou na expansão de horizontes (mas jamais doutrinação!) de adeptos do obscurantismo pop que, muitas vezes, tinham o universo metal como único e esgotado referencial simbólico.
Um importante bem cultural nascido diretamente do seio da DdS foi a revista A Guilda. Apesar de ter possuído somente uma edição, ela representou uma espécie de manifesto que ajudou a registrar a história da cena local, desde a coleta de informações e relatos cronologicamente remotos até a nomeação e divulgação de produtores contemporâneos àquele lançamento. O restante de seu contéudo expunha produção artística e jornalística sob uma rigorosa chancela editorial e sobre um design primoroso e positivamente criticado.
O DdS existe há 4 anos e já teve 17 edições, realizadas nas mais importantes casas alternativas da cidade (Noise 3D, hey Hop e Music Box). Passaram pelos seus palcos nomes nacionais como Fóssil (CE/SP), O Quarto das Cinzas (CE/SP), Orquídeas Freancesas (PB), A Banda Invisível (DF) e Synthetik Form (PE). Cogita-se a realização da edição XVIII pela primeira vez na catedral neogótica da cidade (imagem abaixo).

Aproveitando o público formado e integrado pela DdS, um outro evento iniciou suas atividades recentemente: a festa Profania, de caráter BDSM e patrocinada por uma famosa sex shop. Claro que, por ser inusitado numa cidade moralmente repressora como é Fortaleza, o evento acaba atraindo muitos góticos.
Apesar de seu release bacana, a DdS não chega a ser emblemática de uma cena forte e autosustentável. Longe disso. Estipulo por alto que nossa cidade tenha algo próximo de 100 góticos, senão menos. Uma considerável parte do público que frequenta a festa é notoriamente formada por indies, bangers, punks, universitários e curiosos. Assim, algumas edições que fecham em temas muito específicos do gótico chegam a dar uma lotação tão reduzida que a ocasião acaba se tornando uma boa festa entre amigos, o que também garante a diversão, claro. Creio (cremos) que mover as coisas norteados por mera paixão acaba sendo igualmente recompensador. Todas as cenas deveriam pensar assim.

- Márcio Mäzela discotecando na DdS -
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Confiram os cartazes de todas as 17 edições do Dança das Sombras realizadas até então. Uma curiosidade interessante é que, muitos deles, sobretudo até a quinta edição, procuravam retratar algum espaço público de Fortaleza sob uma atmosfera condizente com a proposta da festa:
http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=9159380537115160830&aid=1
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Airton S (Plastique Noir)
www.plastiquenoir.net |